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Norte e Nordeste Devem Crescer Acima da Média do País

IDIANA TOMAZELLI - Agencia Estado


Responsáveis por 16% de tudo o que é consumido no País, as Regiões Norte e Nordeste começam a pesar na definição do mapa econômico nacional. De acordo com simulação feita pela consultoria LCA, as duas regiões devem crescer acima da média do Brasil em 2014, enquanto o Sudeste, tradicionalmente a mais rica, tende a registrar Produto Interno Bruto (PIB) abaixo da média.
Nas projeções da LCA, o Brasil deve registrar crescimento no PIB de 2,6% em 2013. O Nordeste deve seguir esse ritmo, com expansão de 2,6%, enquanto o Norte deve crescer 2,2%. Se em 2013 a aceleração ainda não supera a taxa do País, em 2014 as duas se posicionarão, definitivamente, acima da média. A previsão para o PIB em 2014, em nível nacional, é de 2,9%, mas Norte e Nordeste devem crescer 3,8%, de acordo com a consultoria.
O ritmo mais acelerado de crescimento nos próximos anos para o Norte e Nordeste se deve a, basicamente, três fatores. O economista Paulo Neves, da LCA Consultores, destaca a base de comparação mais baixa, a recuperação da indústria extrativa (que tem grande participação, sobretudo no Nordeste) e os ganhos obtidos no mercado de trabalho, que têm impulsionado os serviços e o comércio nessas regiões.
Enquanto isso, o Sudeste, que concentra boa parte da indústria e responde por cerca de 54% de tudo o que é consumido no País, deve crescer 2,1% este ano e 2,6% em 2014. "No ano que vem, veremos a indústria extrativa melhorando e a de transformação, que está mais concentrada no Sudeste, piorando", afirmou. A LCA passou a divulgar, recentemente, relatórios trimestrais regionais, em que avalia a indústria, o varejo e a ocupação em cada uma das áreas.
Ocupação
Apesar de um contexto macroeconômico desfavorável, com inflação mais elevada e juros maiores, as Regiões Norte e Nordeste conseguiram aumentar a ocupação, respectivamente, em 2% e 1,5% no acumulado de janeiro a agosto, ante igual período de 2012. A média nacional ficou em 0,8%, segundo a LCA, com base em dados das Pesquisas Mensal de Emprego (PME) e Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Já a massa de renda cresceu 3,4% no Norte e 2,5% no Nordeste - a média nacional é de 2,9%. "Norte e Nordeste têm melhorado na distribuição de renda e na formalização da economia", destacou Neves. Ainda assim, ele afirma que a base de comparação contribui para os ganhos acima da média. "As economias mais pobres tendem a apresentar ritmo de crescimento superior", disse.
Os principais setores beneficiados por esse tipo de crescimento são os serviços e o comércio. O varejo restrito (que desconsidera automóveis e material de construção) deve crescer 5,4% no Norte e 5,3% no Nordeste. As duas previsões estão acima da projeção nacional, de 4,7%. Se confirmado, esse resultado para o Brasil, será o pior desde 2003, quando o varejo teve queda de 3,7%. "A ocupação no Norte e a massa real em crescimento acima da média no Nordeste garantem desempenho superior do varejo", analisou.
No Sudeste, a previsão é de que o varejo tenha expansão levemente menor do que o Brasil, de 4,2%. O resultado, se confirmado, será o pior desde 2005 (+3,3%). "Há uma migração do ritmo de crescimento. Isso não significa que essas regiões vão acompanhar Sudeste e Sul em poucos anos. Pode demorar algumas décadas, mas o movimento tende a se perpetuar", afirmou.
Hoje, o Norte representa 2% de tudo que é consumido no País, enquanto a fatia do Nordeste fica, em média, nos 14%. "Essa proporção tende a aumentar, se o ritmo de crescimento permanecer superior à média nacional", acrescentou. Para o PIB nacional do terceiro trimestre, a LCA espera crescimento nulo na comparação com o segundo, influenciado por uma contribuição negativa do Sudeste. "Indústria e varejo sinalizam para desempenho inferior à média nacional, o que deve acontecer também no ano que vem", observou.

Redes Estrangeiras Disputam Mercado Brasileiro

27/06/2014 - Valor Econômico

O Brasil continua na alça de mira das grandes redes varejistas estrangeiras, atraídas pela estabilidade econômica, por um sistema jurídico que respeita os contratos internacionais e, principalmente, por um mercado consumidor enorme em plena evolução. Hoje, a classe média soma 108 milhões de pessoas, 54% da população, com previsão de chegar a 125 milhões em 2023, segundo a Serasa Experian e o Instituto Data Popular. Algumas das estrelas deste ano são a Forever 21 e a Apple, que acabam de abrir as primeiras lojas no Shopping Morumbi, em São Paulo, e no Village Mall, no Rio de Janeiro. Já a Cotton On está prestes a se instalar no Shopping Center Norte, São Paulo.

O franchising é a porta de entrada para a maioria das marcas internacionais. Como o setor de franquias é o grande parceiro da indústria de shoppings, optar pelos centros de compras para abrigar as primeiras lojas é um caminho natural. No ano passado, 38 varejistas estrangeiros desembarcaram no Brasil pelas mãos do franchising. Entre elas, a Coldwell Banker (imobiliária), Hypoxi (beleza) e 7Camicie (vestuário). Algumas já estavam presentes no mercado nacional, mas sem franquias. É o caso da Adidas, Calvin Klein e Samsung. Outras são estreantes, como a GAP e Desigual.

Este ano devem chegar a Pollo Tropical, Arábica Coffee House e SubZero, todas da área de alimentação, que estão em fase final de negociação. Também são esperadas a Eataly (comida italiana), H&M (vestuário), Cheesecake Factory (alimentação) e Arby's (alimentação). Já a Dunkin Donuts, que desembarcou no Brasil nos anos 1980 e saiu em 2005, negocia a volta pelo sistema de franquias. A Benetton também retornou ao país no ano passado com uma loja no Pátio Batel, de Curitiba (PR).

Apesar da efervescência- pelo menos 15 marcas internacionais anunciaram a disposição de entrar ou expandir seus negócios no Brasil durante a ABF Franchising Expo 2014 -, vários consultores dizem que a procura já foi maior no início da década, quando a crise internacional obrigou varejistas europeus e americanos a procurar outros mercados. "O Brasil foi a bola da vez até 2012, quando atraiu marcas de grande prestígio internacional. Agora, a procura diminuiu, embora se mantenha constante", diz Ana Vecchi, diretora da Vecchi Ancona Inteligência Estratégica. "Os investidores estão mais cautelosos em relação ao Brasil, avaliando cada detalhe do negócio", reforça Cláudia Bittencourt, diretora geral do Grupo Bittencourt. "Mesmo assim, o país ainda é considerado um mercado muito interessante e há grande movimentação na formatação dos negócios em áreas como hotelaria, moda e entretenimento", diz.

Os próprios shoppings se movimentam em busca de novos lojistas e as redes têm equipes específicas para fazer esse trabalho. "A atualização do mix de produtos é um trabalho constante porque é preciso modernizar os malls e oferecer novas opções de compra ao consumidor", explica Eduardo Novaes, superintendente do Grupo Multiplan. Algumas negociações chegam a durar de dois a três anos. "Negociamos diretamente com a Zara e a Forever 21 e conseguimos atraí-las para nossos empreendimentos", conta o executivo. A inauguração da Forever 21 no Morumbi Shopping, em São Paulo, e no BarraShopping, no Rio de Janeiro, foi um sucesso. Em São Paulo, o estoque programado para três meses acabou em 24 dias.

A chegada das marcas internacionais é considerada extremamente benéfica para o varejo brasileiro e para os shoppings em particular. "A chegada da Zara não afetou as vendas de redes como Riachuelo e C&A. Ao contrário. Todas registraram crescimento porque a concorrência estimula a qualificação de produtos e serviços", afirma Luiz Augusto Ildefonso da Silva, diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop).

Brasil Cai Para 5ª Lugar em Ranking de Varejo

16/06/2014 - Valor Econômico

Após três anos seguidos na liderança, o Brasil caiu para a quinta posição em atratividade no varejo global, atrás de Chile, China, Uruguai e Emirados Árabes. O crescimento do PIB abaixo do esperado e o impacto da inflação sobre o poder de compra da população estão entre as principais razões da perda de posição do país no Índice de Desenvolvimento do Varejo Global de 2014, a ser divulgado hoje pela consultoria A.T. Kearney. Anual, o indicador mede a atratividade dos países emergentes para as empresas globais de varejo com base em mais de 20 variáveis, que englobam de investimentos em infraestrutura a riscos políticos.

Além do baixo crescimento e da inflação acima da meta, Pietro Gandolfi, diretor da A.T. Kearney, destaca a "tensão negativa" no ambiente de negócios brasileiro, inexistente há alguns anos. "Ser um mercado grande não é suficiente para tornar o país super atrativo, senão o primeiro lugar ficaria com a China nos próximos 20 anos", afirma ele. Na semana passada, o IBGE divulgou queda no varejo restrito brasileiro pelo segundo mês consecutivo (março e abril).

Gandolfi, porém, lembra que o quinto lugar na lista não significa "não ser atrativo". Para ele, empresas brasileiras e estrangeiras seguirão investindo no Brasil, especialmente companhias com conceitos de loja e proposta de valor diferenciadas, deixando o varejo generalista para grandes redes que já atuam no país, como Carrefour e Walmart.

Entre os cinco primeiros do ranking, o "pequeno" Chile assumiu o primeiro lugar, diz Gandolfi, favorecido pelo crescimento econômico na casa dos 4% nos últimos anos e pela expectativa de que esse ritmo perdure. Apesar de ter um mercado consumidor menor, sobretudo se comparado a Brasil e China, o executivo destaca que o Chile conta com um ambiente regulatório saudável e consumidores com elevado poder de compra e gosto sofisticado.

Além da China, cujo tamanho do mercado mantém o país entre os mais atrativos, os outros dois países a figurar entre os cinco primeiros do ranking - Uruguai e Emirados Árabes Unidos - são pequenos, mas "preciosos", segundo Gandolfi, por serem áreas de zona franca ou terem regime de tributação diferenciado.

Uma surpresa positiva na nova listagem foi a entrada de países da África subsaariana, como Botswana e Namíbia, que, embora figurem nas últimas posições, são considerados a próxima fronteira para investimentos. Venezuela e Argentina deixaram temporariamente a listagem em 2014 em razão de instabilidade política e insegurança econômica.

PIB à espera do investimento
16/06/2014 - Brasil Econômico

Novas projeções de economistas reforçam o enfraquecimento do PIB em 2014. Num momento em que o consumo interno—responsável pelo crescimento do país nos últimos anos — parou de crescer, seria a hora de o investimento aparecer como novo motor.No entanto, o clima de desconfiança atingiu em cheio o empresariado e especialmente o setor industrial, em uma encruzilhada na qual o país só deve sair a partir de 2015, com os novos empreendimentos em infraestrutura.
“O governo vinha estimulando a economia via consumo,mais do que a produção. E não vamos ter nesse momento nem investimento, nem crescimento notável do consumo. Estamos em uma fase de transição em que o crescimento seria mais voltado ao investimento, mas há muitos componentes de incerteza,com perda da confiança”, diz o economista Aloisio Campelo, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Pesquisa divulgada pela Federação Brasileira de Brancos (Febraban) mostra que o desempenho cada vezmais negativo da indústria reduziu as expectativas para o PIB. Consultados entre 6 e 10 de junho, 28 economistas de bancos reduzirama previsãomédiado crescimento do PIB para este ano de 1,8% para 1,4%. Para 2015, a previsão para o PIB recuou de 2,2% na pesquisa anterior, feita emabril, para 1,7%.
O crescimento da indústria foi o item que sofreu a maior revisão para baixonas projeçõesdolevantamento da Febraban, ao passar de 1,6% para apenas 0,4% em 2014. JáoIbre, emseu boletimmacroeconômicodestemês, intitulado “Quadro econômico continua ruim,mas não catastrófico”, estima alta de 1,6% para este ano, após projeção de 1,8% em maio.
“A clara deterioração da dinâmica industrial desde o início deste ano é que nos levou a revisar a projeção do crescimento”, diz o boletim.
Para o Ibre, a economia continua emtrajetória de lenta expansão, mas semsinais de estresse.
OÍndicedeAtividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), indicador antecedentedo PIBdivulgado peloBancoCentral, corrobora para o baixo dinamismo. Em abril, subiuapenas 0,12%emrelação amarço, oquesignificouretração de 2,29% na comparação com abril do ano passado.
No primeiro trimestre, a taxa de investimento sobre o PIB ficou em 17,7%, no menor nível desde 2009. A indústria apresentou retração de 0,8% sobre os últimos trêsmesesde 2013,puxada pela indústria de transformação, cuja queda foi de 0,8% e pela construção civil, com retração de 2,3%.
Em abril, a produção industrial caiu 0,3%sobremarço e teve forte retração,de5,8%, quandocomparada a abril de 2013. Já o consumo das famílias recuou 0,1% no primeiro trimestre e interrompeu umciclo de nove trimestres de alta.
A queda de 0,4% no comércio em abril, no segundo mês seguido, sinaliza para a continuidade da cautela do consumir.

Recife a Melhor Infraestrutura Nacional

28.04.14 - 17h46

Revista EXAME classifica o Recife como a melhor infraestrutura nacional para aporte de negócios


Esse comportamento demonstra que há novos ambientes de negócios surgindo, em particular, no Nordeste.
Em pesquisa publicada pela Revista EXAME, nesta semana, o Recife desponta no primeiro lugar dentre as cidades brasileiras que oferecem a melhor infraestrutura para o aporte de novos negócios. O ranking das cidades que oferecem os melhores ambientes competitivos foi divulgado em edição especial da revista, sob a coordenação da consultoria Urban Systems, que analisou os 300 maiores municípios do Brasil. Foram analisados dados econômicos, sociais, de infraestrutura e de capital humano. Seguidos da capital pernambucana estão Salvador, Rio de Janeiro e Fortaleza, em segundo, terceiro e quarto lugares, respectivamente.
A pesquisa revela números que estão acima da média nacional, como os 35% de conexões de internet com mais de 12 Mbps contra uma média de 9% de cobertura em todo o Brasil. Além disso, o Recife conta com um dos mais importantes centros de produção de tecnologia, o Porto Digital, um rico conjunto de equipamentos culturais, além de um dos mais importantes polos médicos e gastronômicos do país. Esses dados são reflexo de uma cidade vocacionada para a produção de conhecimento e oferta de serviços modernos. “O que quero da indústria é a inteligência”, disse o prefeito Geraldo Julio na reportagem, referindo-se ao fato do Recife, além de ter sido considerada a cidade com a melhor infraestrutura do Brasil para negócios, ter sido avaliada como detentora de excelente capital humano.
Outro dado interessante é que São Paulo, uma das cidades mais importantes da América Latina, ficou de fora do quadro das dez mais bem conceituadas na pesquisa. Esse comportamento demonstra que há novos ambientes de negócios surgindo, em particular, no Nordeste. Sob este olhar, além do Recife, Salvador e Fortaleza, aparecem no ranking da pesquisa da EXAME as cidades de Campina Grande (PB) e Feira de Santana (BA).
O pujante crescimento do Recife está relacionado ao conjunto de ações de reestruturação que Pernambuco vem passando ao longo dos últimos anos, ratificando a capital enquanto centro financeiro e logístico de negócios. O desafio maior é a execução de um planejamento urbano ordenado, de longo prazo, que permita equalizar os índices do desenvolvimento econômico e o desenvolvimento social.
Nessa perspectiva, a Prefeitura do Recife coloca em prática uma série de ações que buscam o reordenamento da cidade nos mais diversos segmentos, como infraestrutura, mobilidade, segurança, reestruturação da rede pública de saúde e escolar, ações voltadas para o meio ambiente e sustentabilidade, entre outras. Além disso, a atual gestão vem investindo fortemente em iniciativas que promovem uma nova relação entre as pessoas e a cidade, resgatando a sensação de pertencimento da sua população.

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 1875 -Invenção do telefone

Réplica do Aparelho Experimental Utilizado por Graham Bell.
O telefone nasceu meio por acaso, na noite de 2 de junho de 1875. Alexander Graham Bell, um imigrante escocês, que morava nos Estados Unidos e era professor de surdos-mudos, fazia experiências com um telégrafo harmônico, quando seu ajudante, Thomas Watson, puxou a corda do transmissor e emitiu um som diferente. O som foi ouvido por Bell do outro lado da linha.
Réplica de um dos primeiros telefones: reversível de mesa.
A invenção foi patenteada em 7 de março de 1876, mas a data que entrou para a história da telefonia foi 10 de março de 1876. Nesse dia, foi feita a transmissão elétrica da primeira mensagem completa pelo aparelho recém-inventado. Graham Bell encontrava-se, no último andar de uma hospedaria em Boston, nos Estados Unidos. Watson trabalhava no térreo e atendeu o telefone, que tilintara. Ouviu, espantado: "Senhor Watson, venha cá. Preciso falar-lhe." Ele correu até o sótão de onde Bell havia telefonado. Começava uma longa história. A história das telecomunicações que iria revolucionar o mundo dali em diante.
1876 - O telefone e D. Pedro II: O reconhecimento
Mal tinha sido inventada, ainda em 1876, o telefone foi parar numa exposição famosa, a Exposição Centenária de Filadélfia, nos Estados Unidos. Mas o aparelho não fez o menor sucesso. Por mais de seis semanas, Graham Bell ficou com seu invento sobre uma mesa, sem que ninguém lhe desse atenção. Quando a comissão de juízes da exposição se aproximou, um deles apanhou o receptor do telefone, olhou-o com pouco caso e tornou a colocá-lo no lugar. Nem sequer colocou o aparelho no ouvido. Outro juiz fez um comentário que provocou risos.

Réplica de Telefone Reversível de Mão.

Mas a novidade não passou despercebida por todos. Ao visitar a exposição, no dia 25 de junho, o imperador do Brasil, D. Pedro II, tratou de procurar Graham Bell. Tempos atrás, ele tinha ficado impressionado com uma aula do jovem professor para surdos-mudos. Bell aproveitou a oportunidade e não deixou por menos: estendeu um fio de um canto a outro da sala, dirigiu-se ao transmissor e pôs D. Pedro II em grande expectativa.
- Ser ou não ser, eis a questão - falou Bell, sendo ouvido claramente pelo imperador.
- Meu Deus, isso fala! - exclamou, assombrado, D. Pedro II.
Daí para frente, o reconhecimento veio rápido. Menos de um ano depois, já estava organizada a primeira companhia telefônica do mundo, a Bell Telephone Company, em Boston, nos Estados Unidos. A companhia tinha ao todo 800 telefones e era presidida por Gardner Hubbard, sogro de Graham Bell . O superintendente geral era Theodore Vail.
Mas, afinal, por que Alexander Graham Bell foi se lembrar justamente do "ser ou não ser, eis a questão" na hora de falar com o imperador do Brasil? Foi por conta de seu avô, Alexandre Bell, um sapateiro que queria ser ator e vivia a recitar Shakespeare. Ele acabou impressionado com a própria voz e ficou com a mania de melhorar a dicção. Abandonou os sapatos e abraçou o teatro. Pouco depois, descobriu outra profissão: professor de elocução. O avô do inventor do telefone tornou-se especialista em foniatria, mas não esqueceu Shakespeare, seu tema preferido em conferências dramáticas.

Encontro de D.Predro II com Graham Bell na Exposição de Filadélfia 1876.

Tal pai, tal filho. Alexandre Melville Bell, pai do nosso Bell, passou a se interessar não apenas pelo som, mas pelas causas desse som. Estudou anatomia, quis saber tudo sobre a laringe e as cordas vocais. Criou a "fala invisível": um conjunto de símbolos, cada qual representando a exata posição da boca, dos lábios, da língua e do palato na pronúncia das vogais e consoantes. Com o uso desses símbolos, era possível saber a pronúncia correta de cada uma delas.
O método foi bastante usado na Europa e na América, para ensinar elocução e línguas e também para ensinar surdos-mudos. Foi a partir da "fala invisível" criada pelo pai de Graham Bell que surgiram os símbolos que hoje aparecem nos dicionários para indicar a pronúncia figurada.
É possível entender agora a paixão de Graham Bell pela voz e o desejo de fazê-la voar através de um fio?
O ajudante de Bell, Thomas A. Watson, é outro personagem importante nessa história. Ele era artesão de uma das maiores e mais bem aparelhadas oficinas elétricas no país, onde eram construídos os mais estranhos aparelhos recomendados pelos inventores. Foi Watson que procurou Bell para falar de uma peça que não estava dando certo, o telégrafo harmônico. Mas Bell logo deixaria de lado o tal telégrafo para se dedicar totalmente ao seu novo invento, o telefone.
O entusiasmo do professor acabou contagiando Watson. Os dois tornaram-se grandes amigos e Bell deu a seu ajudante participação nas patentes. Afinal, Watson participara de todas as etapas da confecção do telefone, apurando, junto com Bell, as imperfeições existentes. Sem falar que foi Watson quem ouviu a primeira mensagem inteligível transmitida pelo telefone: "Senhor Watson, venha cá. Preciso falar-lhe!".

1877 - O Telefone chega ao Brasil.

O telefone chegou ao Brasil, em 1877, poucos meses depois da exposição de Filadélfia. O primeiro aparelho foi fabricado nas oficinas da Western and Brazilian Telegraph Company, especialmente para D. Pedro II. Foi instalado no Palácio Imperial de São Cristovão, na Quinta da Boa Vista, hoje o Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Ainda em 1877, começou a funcionar uma linha telefônica ligando a loja O Grande Mágico, na Rua do Ouvidor, ao Quartel do Corpo de Bombeiros.
Dois anos mais tarde, em 15 de novembro de 1879, era feita a primeira concessão para estabelecimento de uma rede telefônica no Brasil. Quem ganhou a concessão foi Charles Paul Mackie. Foi também em 1879 que a repartição de telégrafos organizou no Rio de Janeiro um sistema de linhas telefônicas ligadas à Estação Central de Bombeiros, para aviso de incêndios.
Mais um ano, e estava formada a primeira companhia telefônica nacional, a Telephone Company of Brazil. Criada em 13 de outubro de 1880, ela tinha um capital de 300 mil dólares e foi instalada em janeiro de 1881, na Rua da Quitanda no 89. Em 1883, a cidade já tinha cinco estações de mil assinantes. A primeira linha interurbana também é de 1883. Ligava o Rio de Janeiro a Petrópolis.
A novidade logo se espalhou para o resto do País. A primeira concessão para outros estados foi realizada em 18 de março de 1882. Foram atendidas as cidades de São Paulo, Campinas, Florianópolis, Ouro Preto, Curitiba e Fortaleza. Em 1884, São Paulo e Campinas foram beneficiadas com novas concessões.
A permissão para a construção de uma linha, ligando São Paulo ao Rio de Janeiro, foi concedida em 1890, para J.O. Simondsen. Ele teve a idéia de seguir pelo litoral e chegou a construir 60 km de linha. Acabou desistindo do projeto. Talvez por simples superstição, a população dos lugarejos por onde a linha passava derrubava, à noite, os postes levantados de dia.
Mas a telefonia não parava de avançar. O primeiro cabo interurbano subterrâneo no Brasil foi inaugurado em 1913. Eram 30 pares, ligando Santos a São Paulo, numa distância de cerca de 70 km. Pouco mais tarde, a ligação foi feita também com Campinas. Os telefones tiveram uma responsabilidade e tanto no progresso de São Paulo.

Em Minas Gerais, a história é parecida. A primeira concessão foi obtida em 1882, para uma rede telefônica em Ouro Preto. Em 1891, foi concedida permissão para linhas, ligando as cidades de Leopoldina, Cataguazes e São Paulo de Muriaé. A ligação entre Rio e Minas, por linha telefônica, aconteceu em 1895. E, em 19 de julho de 1913, o Decreto no 3.961 regulou as condições sob as quais o governo do Estado permitia as concessões do serviço telefônico, feitas desde o ano anterior, 1912. A partir dali, várias outras cidades estabeleceram suas redes.
Telefone a magneto de parede: década de 20.

O ano de 1916 é outro marco. Nesse ano, a Companhia de Telephone Interestadoaes, a principal empresa de telefonia no Estado de Minas, tornou-se um dos ramos da Rio de Janeiro and São Paulo Telephone Company, mais tarde Companhia Telefônica Brasileira (CTB). Em 1929, várias cidades mineiras ainda possuíam redes telefônicas não integradas no sistema CTB. Várias redes foram então reconstruídas e uma grande rede interurbana passou a integrar Minas à principal rede.
O privilégio não era apenas de Minas, Rio e São Paulo. Na grande maioria das outras regiões do Brasil, a telefonia foi implantada entre 1882 e 1891. Em 1889, as estatísticas apontavam um total aproximado de 160 mil telefones em todo o País dos quais 104 mil eram da CTB.

Telefone a magneto de Parede.

Nos primeiros anos, o serviço telefônico do Rio de Janeiro passou alternadamente de firmas particulares para o governo. Em 6 de junho de 1889, ele foi adquirido pela concessionária alemã Brasinisliche Elektricitats Gesellschraaft. A concessão era válida por 30 anos. O serviço telefônico começava a se estabilizar.

Telefone a Magneto - Início do Século XX.


A nova firma possuía aparelhagem alemã e o tipo de sistema era o magneto. Os telefones eram ligados à central por um fio. Na caixa do aparelho, havia uma manivela que o assinante movia para chamar a telefonista na central. Era a telefonista, então, quem fazia a ligação. Quando queria terminar o telefonema, o assinante movia a manivela em sentido contrário. Dessa forma, a telefonista recebia o sinal de desligar.

1906 - O Telefone de bateria central.
Telefone de Mesa Tipo Castiçal 1906.

O telefone a magneto, com manivela, acabou depois de um incêndio. Foi em 1906. As instalações da Brasinisliche Elektricitats Gesellschraaftna Praça Tiradentes, na cidade do Rio de Janeiro, foram destruídas e o serviço telefônico teve de ser interrompido durante sete meses. Quando o prédio foi reconstruído, os aparelhos antigos acabaram sendo substituídos por outros bem diferentes. Os novos telefones, importados dos Estados Unidos, tinham um sistema de bateria central, sem manivela. Era só tirar o fone do gancho para entrar em contato com a telefonista.

1907 - Encampação da concessionária alemã.
Central Telefônica 1917

A concessionária alemã Bra-sinisliche Elektricitats Gesellschraaft teve vida curta na telefonia brasileira. Em 1907, ela foi encampada pela Rio de Janeiro Telephone Company, com sede nos Estados Unidos. Cinco anos depois, nova incorporação, desta vez à Brazilian Traction Light & Power, do Canadá.

Telefone de Parede com Sistema de Bateria Cental - 1920.

Essa época guarda histórias pitorescas, muitas delas envolvendo as telefonistas, uma das pioneiras do trabalho feminino no início do século. Naquele tempo, era comum as telefonistas mais antigas ajudarem as mais novas. Mas Rosa Silva, famosa pela boa memória, era um caso à parte. As telefonistas atendiam os assinantes com a frase: "Número, faz favor". Muitas vezes, o assinante não sabia o número, só o nome da pessoa com quem queria falar.
Digamos que o assinante pedisse:
- Senhorita, faz favor de ligar com Francisco Leal.
Se a telefonista soubesse de cor o número, tudo bem. Mas, e se não soubesse? Simples. Fechava a chave e gritava:
- Rosa! Rosa estava ocupada, atendendo a outro assinante ou outra colega.
- Rosa! Afinal, Rosa atendia ao apelo. A colega perguntava, então, o número do tal Francisco Leal, mas Rosa precisava saber se era do depósito, do escritório ou da casa do Francisco. Lá, ia a telefonista indagar do assinante que estava esperando na linha, para depois voltar:
- Rosa, é do depósito!
A veterana tinha de se lembrar sobre qual assinante aquilo se referia e informar qual era o número pedido. Quanto tempo perdido! Mas que memória! Dona Rosa Silva era a "informação em pessoa"!

1916 - RJ e SP Telephone Company I Guerra Mundial.
Telefonistas da Companhia Telefonica do Rio de Janeiro
1915.


A telefonia atraía cada vez mais atenção. E novos negócios. Em 1916, foi criada a Rio de Janeiro and São Paulo Telephone Company, subsidiária da Brazilian Traction. A nova organização adquiriu as ações de várias companhias existentes no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais; estabeleceu as ligações interurbanas entre todas essas localidades e teve um desenvolvimento extraordinário. Com a Primeira Guerra Mundial, no entanto, o número de assinantes do Rio de Janeiro pouco aumentou.

1918/1920 - Inauguração de 4 centrais.
Entre 1918 e 1920, foram inauguradas quatro novas centrais telefônicas no Rio de Janeiro: Beira-Mar (hoje Museu do Telephone), Ipanema, Piedade e Jardim do Méier. Eram mais 4.860 linhas telefônicas. Em 1922, o Rio de Janeiro tinha cerca de 30 mil telefones para uma população de 1 milhão e 200 mil habitantes.

1923 - Companhia Telefônica Brasileira
Telefone de Mesa Tipo Castiçal – 1906.

Em janeiro de 1923, a direção da Rio de Janeiro and São Paulo Telephone Company, em Toronto, Canadá, decidiu mudar o nome da companhia para Brazilian Telephone Company. Mais que isso. Decidiu que o nome poderia ser usado em português. Em 28 de novembro daquele mesmo ano, surgia então a Companhia Telefônica Brasileira, a CTB.

1930 - Sistema Autmomático de telefonia.

Era o ano de 1888, na cidade de Kansas, nos Estados Unidos. O agente funerário Halmon B. Storwger olhava com inveja um aparatoso enterro que passava. Por que não tinha sido dele aquele freguês? Mais tarde, um dos parentes lhe diria:
- Tentei chamá-lo, mas a telefonista dizia sempre que sua linha estava ocupada.
A inveja de Halmon transformou-se em raiva.
- Ocupada? Não tive uma chamada sequer durante todo o dia. - trovejou ele - Outro erro de alguma telefonista estúpida. Se é a última coisa a fazer, vou imaginar um meio de não haver necessidade de telefonistas.
Poucos meses depois, Strowger fabricou um curioso aparelho. Ele afixou alfinetes ao redor das paredes de uma caixinha comum de colarinho. Cada alfinete representava a linha de um assinante. Dentro da caixa, ele colocou um braço metálico numa barra central, de maneira que ele rodasse de alfinete em alfinete, quando ativado por eletromagneto. Depois, ligou a este aparelho um telefone comum, ao qual fora adicionado um botão de pressão. Cada impulso do botão operava o magneto e movia o braço metálico, tinindo de um botão a outro e "soletrando" o número desejado. Strowger tirou uma patente do invento e, com Joseph Harris, um jovem negociante de roupas, de Chicago, formou uma companhia.
A chance para experimentar a instalação do novo aparelho veio em 1892. Em 3 de novembro daquele mesmo ano, o sonho de Strowger tornou-se realidade. As pessoas podiam chamar umas às outras sem nenhum auxílio das telefonistas. Três anos mais tarde, em 1895, já estava sendo produzido um telefone com um tosco disco em lugar de botão de pressão.

Telefone Automático Modelo de Parede – 1928.

O telefone conquistava um número cada vez maior de pessoas. Em 1929, a CTB comemorava a instalação da centésima milésima linha em sua área de operação. No mesmo ano, foi inaugurada a primeira estação automática no Rio de Janeiro, dispensando o trabalho das telefonistas. Esta central foi instalada na Rua Alexandre Mackenzie 69, bem no centro da cidade.

1935 - Telefones Públicos.

Para quem não tinha condições de comprar um telefone, a boa notícia veio em 1935. Nesse ano, a CTB instalou o primeiro posto público, na antiga Galeria Cruzeiro, hoje Ed. Avenida Central, no Rio de Janeiro. A novidade logo se multiplicou. Bares, farmácias e mercearias ganharam telefones públicos. Mas ainda havia um problema: só era possível usar esses telefones no horário comercial. Aos sábados, domingos, feriados, logo cedinho ou de madrugada, as lojas e bares estavam fechados. A solução foi importar cabines telefônicas do Canadá. Em pouco tempo, elas estavam instaladas nos principais pontos públicos: rodoviárias, estações de trem e praças públicas.

Telefone Público - Década de 30.


Os orelhões apareceram em 20 de janeiro de 1972, quando a cidade do Rio de Janeiro comemorava sua fundação. Foi no aniversário da cidade que a CTB lançou um novo tipo de cabine de telefone público, em fibra de vidro, cor laranja e formato de concha. A aceitação foi excelente e o apelido, imediato. Até hoje, os telefones públicos no Brasil são conhecidos como orelhões.
Durante muito tempo, os telefones públicos funcionaram com fichas metálicas. A companhia de Telecomunicações do Rio de Janeiro, a Telerj, foi a primeira empresa do Sistema Telebrás a instalar orelhões a cartão indutivo, em 1992. A tecnologia é genuinamente nacional e as vantagens sobre o aparelho tradicional são muitas: a manutenção é mais fácil, o vandalismo é reduzido e, graças ao sistema de supervisão automática, o custo de coleta de fichas é eliminado.

Cabine Pública - Década de 30.

A instalação de telefones públicos a cartão atende a uma importante diretriz: a popularização da telefonia. O objetivo é que um número cada vez maior de pessoas tenha acesso aos serviços de telecomunicações. Também são de fundamental importância a conservação e o bom uso do telefone público. Isso vale especialmente para as áreas onde a população depende basicamente do telefone público para suprir suas necessidades emergenciais de comunicação: hospital, polícia, bombeiros etc..

1939/1945 - II Guerra Mundial Getúlio Vargas.
Telefone de Mesa Automática Modelo Padrão da CTB - Década de 40.


A Segunda Guerra Mundial mergulhou o País em uma série de dificuldades, provocando a estagnação do setor de telefonia. Mesmo assim, a CTB conseguiu instalar, entre 1939 e 1945, cerca de 45 mil novos telefones no Rio de Janeiro. Os pracinhas brasileiros, integrados aos soldados americanos, passaram a ter acesso a telefones de nova tecnologia, mais leves e à prova de impactos, que logo se tornaram poderosas armas nas frentes de combate.

Nacionalização da CTB – 1956.

O nome já era conhecido em português, mas a companhia ainda era estrangeira. Em 28 de novembro de 1956, finalmente, o presidente Juscelino Kubstchek assinava o Decreto no 40.439, nacionalizando a sociedade anônima Brazilian Telephone Com-pany. Ela agora era, efetivamente, a Companhia Telefônica Brasileira.

EMBRATEL – 1965.

O serviço de telecomunicações tornava-se cada vez mais amplo e mais complexo. Para atender às novas necessidades do mercado, foi criada a Empresa Brasileira de Telecomunicações, a Embratel, em setembro de 1965. O objetivo era claro: instalar e explorar os grandes troncos nacionais de microondas, integrantes do Sistema Nacional de Telecomunicações e suas conexões com o exterior.
O primeiro sistema de microondas da América Latina foi inaugurado entre Rio - São Paulo e Campinas.

Aquisição da CTB – 1966.

A CTB passou para as mãos do Estado em 1966. Nesse ano, o governo brasileiro negociou não só a compra da CTB, mas também o de suas empresas associadas, a Companhia Telefônica Brasileira de Minas Gerais e a Companhia Telefônica do Espírito Santo. As três pertenciam à Brazilian Traction, de capital canadense, e tinham um peso considerável no mercado de telecomunicações. Eram responsáveis por 62% dos telefones no País e operavam numa área que abrangia 45% da população brasileira. Foram adquiridas por US$ 96.315.787, com prazo de 20 anos.
Novo dono, novas regras. Com a compra pelo governo brasileiro, a CTB e suas subsidiárias mudaram de estatuto e de administração. As tarifas foram reformuladas de acordo com o custo real dos serviços prestados. A CTB lançou-se na expansão e modernização dos serviços nas áreas em que operava, programando a instalação de 522.528 linhas telefônicas. Lucro, é claro, para os usuários dos serviços de telefonia.



Fonte:www.proeja.com/311news/invencaodotel.html

Matéria Jornal Diário de Pernambuco

Carros duas cabeças: mito ou realidade?

Consumidor tem a vantagem financeira na hora da compra. Cuidado deve ser com modelos sem o airbag e o ABS

Marília Parente - Diario de Pernambuco
Publicação: 06/02/2014 11:15 Atualização: 06/02/2014 11:35

Na mitologia grega, volta e meia, Hércules se estranhava com a hidra de Lerna, uma criatura pavorosa, de várias cabeças. A cada cabeça decapitada, nasciam duas no lugar. Pois é assim que muito consumidor anda vendo os veículos 2013/2014 - ou duas cabeças, como os concessionários gostam de chamar os carros cuja data de fabricação é um ano mais antiga do que a do modelo. Os compradores receiam que o ano de fabricação do carro dê prejuízo numa futura revenda. Já os lojistas defendem que os parâmetros para preço de negociação são o modelo e o estado de conservação.

O gerente de vendas da Disnove/Volkswagen Bruno Lima, garante que a desvalorização dos carros duas cabeças na hora da revenda não passa de mito. "Para o consumidor, os 2013/2014 são mais interessantes, porque como foram comprados antes da virada do ano, estão mais baratos. Eles entram sem IPI, sem o reajuste de preço e, muitas vezes, com redução de taxas", comenta Bruno. Diretor da ViaSul, Roberto Figueiredo lembra que a procura por carros duas cabeças foi grande no começo do ano. "Quem quiser seu 2013/2014 tem que correr, eles só devem durar em nossos estoques até o final desse mês".

Samir Ferreira priorizou economizar em 2010, quando comprou sua Hyundai Tucson 
 (Júlio Jacobina/DP/DA PRESS)
Samir Ferreira priorizou economizar em 2010, quando comprou sua Hyundai Tucson
 

O excesso de crédito no mercado facilita a compra de carros zero e, consequentemente, desvaloriza os carros seminovos, os quais podem ser ainda mais depreciados se forem duas cabeças. Professor da Faculdade Boa Viagem (FBV) e analista financeiro, Roberto Ferreira explica: "a depreciação média de um carro seminovo de um ano para o outro está em torno de 25%. Se for um seminovo duas cabeças, que tem a data de fabricação mais antiga, a desvalorização pula para algo em torno de 30%", explica o professor. Assim, quem comprar seu carro 2013/2014 esse ano pensando em revender no próximo, só vai conseguir negociá-lo por cerca de 70% de seu valor. "Se meu carro custa R$ 30 mil, é provável que eu consiga revendê-lo ano que vem por R$ 21 mil", exemplifica Roberto.

O outro lado
Para o administrador Samir Ferreira, a prioridade é gastar menos. "Em 2010 comprei meu Tucson. Eu procurava o modelo do ano e me ofereceram ele. A única diferença é que meu carro foi fabricado em 2009, mas não me sinto prejudicado. Ele tem todos os acessórios que teria se fosse recém-fabricado".

Nem sempre é assim. Como foram fabricados no ano passado, alguns duas cabeças sem as novas medidas de segurança - airbag e ABS - ainda estão disponíveis para compra. Muitas concessionárias oferecem descontos em carros como estes, mas é preciso ter cautela. O analista alerta: "além de comprometer a segurança dos passageiros, a ausência do airbag e do ABS certamente vão desvalorizar o carro no futuro". É preciso ter em mente que a pechincha de agora pode custar caro no futuro.

Ranking ATP

Rank, Name & NationalityPointsWeek ChangeTourn Played
1 Nadal, Rafael (ESP)14,330021
2 Djokovic, Novak (SRB)10,620018
3 Wawrinka, Stanislas (SUI)5,710525
4 Del Potro, Juan Martin (ARG)5,370122
5 Ferrer, David (ESP)5,280-224
6 Murray, Andy (GBR)4,720-219
7 Berdych, Tomas (CZE)4,540024
8 Federer, Roger (SUI)4,355-220
9 Gasquet, Richard (FRA)3,050025
10 Tsonga, Jo-Wilfried (FRA)2,885021
11 Raonic, Milos (CAN)2,770023
12 Haas, Tommy (GER)2,435026
13 Isner, John (USA)2,320026
14 Youzhny, Mikhail (RUS)2,145126
15 Fognini, Fabio (ITA)2,100128
16 Robredo, Tommy (ESP)1,980222
17 Almagro, Nicolas (ESP)1,930-323
18 Nishikori, Kei (JPN)1,915-121
19 Dimitrov, Grigor (BUL)1,810323
20 Simon, Gilles (FRA)1,700-125